Aprender um idioma é aprender a navegar entre culturas.
Depois de mais de uma década ensinando inglês para profissionais brasileiros, entendi que dominar as regras linguísticas é a parte mais fácil. O que separa quem fala inglês de quem se comunica com autoridade em ambientes internacionais é o repertório cultural que a pessoa carrega: saber comentar o filme que ganhou o prêmio em Berlim, reconhecer a citação de Shakespeare que a CFO londrina soltou no meio da call, ler a referência ao Ingmar Bergman que seu colega sueco fez no coffee break. Pierre Bourdieu chamou esse repertório de capital cultural.
Para Bourdieu, capital cultural é o conjunto acumulado de conhecimentos, referências, obras lidas e assistidas, e disposições internalizadas que uma pessoa carrega, e que a posiciona em cada espaço social por onde ela passa. Em ambientes corporativos internacionais, capital cultural é a infraestrutura invisível da autoridade: é o que permite transitar como quem pertence.
Este blog existe para aumentar o capital cultural da minha rede: uma referência que passa a compor o seu repertório, uma obra que amplia o acervo, um código intercultural que muda como você lê a próxima interação social. Em sextas alternadas, às 8h, no ACE Casual Friday e, ocasionalmente, em artigos mais longos.
Três leituras para caber na sua semana.
Um artigo de cada categoria, curto o suficiente para ler entre uma reunião e outra.
ACE Casual Friday #4: Czares, uma dama com seu cachorrinho e uma Rússia que você ainda não conhece
Bom dia! Hoje, trocaremos o café por chá preto com _syrniki_. Para esta edição, fiz uma curadoria sobre a Rússia Imperial e o que acontecia dentro e fora dos palácios. Passearemos por Petersburgo, Moscou e Yalta com Tchekhov e falaremos sobre uma expressão que leva o seu nome. Também veremos como o conceito de heteroglossia afeta a todos diariamente.
Ana Paula Carvalho · 7 min de leituraACE Casual Friday · 28 ago 2026ACE Casual Friday #3: Viajando no trem da meia-noite para a Geórgia com Alice Walker
Bom dia! O café de hoje vem acompanhado de grits. Nossa parada desta semana é a Geórgia. No roteiro: the bottom line e seus dois sentidos; o que é AAVE (African American Vernacular English); um hit do R&B entre as 500 maiores da Rolling Stone; e um romance em que quatro mulheres tomam quatro caminhos diferentes para sobreviver ao mesmo lugar.
Ana Paula Carvalho · 7 min de leituraACE Casual Friday · 21 ago 2026ACE Casual Friday #2: Um tour pelo Canadá com Munro e Atwood. Entre folhas de bordo e disfarces
Bom dia! Hoje, nosso café será adoçado com maple syrup. Prepare-se para uma carona com duas escritoras por um Canadá que não cabe no Instagram e para descobrir a expressão em inglês que causou uma confusão digna de nota nas memórias de Churchill.
Ana Paula Carvalho · 6 min de leituraRelaxa que é Casual Friday!
Sextas alternadas, às 8h. Traz o café que eu trago 5 insights sobre Comunicação Intercultural, Inglês Corporativo e curiosidades sobre outras culturas. Aquela conversa esperta que te prepara para o findi.

ACE Casual Friday #4: Czares, uma dama com seu cachorrinho e uma Rússia que você ainda não conhece
Bom dia! Hoje, trocaremos o café por chá preto com _syrniki_. Para esta edição, fiz uma curadoria sobre a Rússia Imperial e o que acontecia dentro e fora dos palácios. Passearemos por Petersburgo, Moscou e Yalta com Tchekhov e falaremos sobre uma expressão que leva o seu nome. Também veremos como o conceito de heteroglossia afeta a todos diariamente.
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Bom dia! O café de hoje vem acompanhado de grits. Nossa parada desta semana é a Geórgia. No roteiro: the bottom line e seus dois sentidos; o que é AAVE (African American Vernacular English); um hit do R&B entre as 500 maiores da Rolling Stone; e um romance em que quatro mulheres tomam quatro caminhos diferentes para sobreviver ao mesmo lugar.
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Bom dia! Hoje, nosso café será adoçado com maple syrup. Prepare-se para uma carona com duas escritoras por um Canadá que não cabe no Instagram e para descobrir a expressão em inglês que causou uma confusão digna de nota nas memórias de Churchill.
Leia maisHá um jeito de conhecer um povo para além de livros, filmes e museus: sentar-se à mesa dele. Em Dubai, aceitar tâmaras oferecidas à porta da casa é aceitar entrar nela.
Butter chicken em Delhi resolve o tabu hindu da vaca e o tabu muçulmano do porco na mesma travessa. Comida é linguagem cultural; por isso, vale conhecer a cultura dos seus stakeholders antes de convidá-los para uma feijoada ou uma cerveja.
Aqui, cada artigo serve um prato e a etiqueta intercultural que o acompanha.
Parece surpreendente, mas o mesmo produto vende mais quando troca de discurso ao cruzar uma fronteira.
Em 1990, uma marca sueca de automóveis aprendeu isso do jeito difícil: vendeu segurança para toda a Europa num anúncio único e viu as vendas travarem. Ao mudar o discurso de MKT e oferecer status ao francês, economia ao sueco e performance ao alemão, as vendas dispararam. Isso se chama Comunicação Intercultural.
A mesma lógica vale para toda decisão de negócios internacionais, e quem lê a cultura do outro fecha mais.
Aqui, a gente estuda casos e frameworks da comunicação intercultural aplicada aos negócios.


