Aprender um idioma é aprender a navegar entre culturas.
Depois de mais de uma década ensinando inglês para profissionais brasileiros, entendi que dominar as regras linguísticas é a parte mais fácil. O que separa quem fala inglês de quem se comunica com autoridade em ambientes internacionais é o repertório cultural que a pessoa carrega: saber comentar o filme que ganhou o prêmio em Berlim, reconhecer a citação de Shakespeare que a CFO londrina soltou no meio da call, ler a referência ao Ingmar Bergman que seu colega sueco fez no coffee break. Pierre Bourdieu chamou esse repertório de capital cultural.
Para Bourdieu, capital cultural é o conjunto acumulado de conhecimentos, referências, obras lidas e assistidas, e disposições internalizadas que uma pessoa carrega, e que a posiciona em cada espaço social por onde ela passa. Em ambientes corporativos internacionais, capital cultural é a infraestrutura invisível da autoridade: é o que permite transitar como quem pertence.
Este blog existe para aumentar o capital cultural da minha rede: uma referência que passa a compor o seu repertório, uma obra que amplia o acervo, um código intercultural que muda como você lê a próxima interação social. Em sextas alternadas, às 8h, no ACE Casual Friday e, ocasionalmente, em artigos mais longos.
Três leituras para caber na sua semana.
Um artigo de cada categoria, curto o suficiente para ler entre uma reunião e outra.
ACE Casual Friday #6: O inglês da Índia e uma nuvem mensageira de uma cultura apaixonante
Bom dia! Hoje, tomaremos um chai ao som de um relaxante raga matinal, Nat Bhairav, tocado pelo extraordinário Ravi Shankar. Essa edição falará sobre o inglês da Índia; se há colegas indianos no seu time, essa é a sua oportunidade de entendê-los um pouco melhor! Também trago um filme com um plot twist surpreendente e, na seção de literatura, aquele considerado o guru de todos os poetas: Kalidasa.
Ana Paula Carvalho · 9 min de leituraACE Casual Friday · 18 set 2026ACE Casual Friday #5: Brioches para Os Miseráveis numa França de contrastes
Bom dia! Prepare seu café com croissant ou brioche, porque hoje o nosso desjejum será nos jardins de Versalhes. A curadoria desta edição traz o filme Marie Antoinette, de Sofia Coppola, e o romance Os Miseráveis, de Victor Hugo. Antes deles, veremos uma expressão de inglês corporativo de origem francesa e a herança do francês no vocabulário inglês, os chamados loanwords.
Ana Paula Carvalho · 6 min de leituraACE Casual Friday · 4 set 2026ACE Casual Friday #4: Czares, uma dama com seu cachorrinho e uma Rússia que você ainda não conhece
Bom dia! Hoje, trocaremos o café por chá preto com _syrniki_. Para esta edição, fiz uma curadoria sobre a Rússia Imperial e o que acontecia dentro e fora dos palácios. Passearemos por Petersburgo, Moscou e Yalta com Tchekhov e falaremos sobre uma expressão que leva o seu nome. Também veremos como o conceito de heteroglossia afeta a todos diariamente.
Ana Paula Carvalho · 7 min de leituraRelaxa que é Casual Friday!
Sextas alternadas, às 8h. Traz o café que eu trago 5 insights sobre Comunicação Intercultural, Inglês Corporativo e curiosidades sobre outras culturas. Aquela conversa esperta que te prepara para o findi.

ACE Casual Friday #6: O inglês da Índia e uma nuvem mensageira de uma cultura apaixonante
Bom dia! Hoje, tomaremos um chai ao som de um relaxante raga matinal, Nat Bhairav, tocado pelo extraordinário Ravi Shankar. Essa edição falará sobre o inglês da Índia; se há colegas indianos no seu time, essa é a sua oportunidade de entendê-los um pouco melhor! Também trago um filme com um plot twist surpreendente e, na seção de literatura, aquele considerado o guru de todos os poetas: Kalidasa.
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ACE Casual Friday #5: Brioches para Os Miseráveis numa França de contrastes
Bom dia! Prepare seu café com croissant ou brioche, porque hoje o nosso desjejum será nos jardins de Versalhes. A curadoria desta edição traz o filme Marie Antoinette, de Sofia Coppola, e o romance Os Miseráveis, de Victor Hugo. Antes deles, veremos uma expressão de inglês corporativo de origem francesa e a herança do francês no vocabulário inglês, os chamados loanwords.
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Bom dia! Hoje, trocaremos o café por chá preto com _syrniki_. Para esta edição, fiz uma curadoria sobre a Rússia Imperial e o que acontecia dentro e fora dos palácios. Passearemos por Petersburgo, Moscou e Yalta com Tchekhov e falaremos sobre uma expressão que leva o seu nome. Também veremos como o conceito de heteroglossia afeta a todos diariamente.
Leia maisHá um jeito de conhecer um povo para além de livros, filmes e museus: sentar-se à mesa dele. Em Dubai, aceitar tâmaras oferecidas à porta da casa é aceitar entrar nela.
Butter chicken em Delhi resolve o tabu hindu da vaca e o tabu muçulmano do porco na mesma travessa. Comida é linguagem cultural; por isso, vale conhecer a cultura dos seus stakeholders antes de convidá-los para uma feijoada ou uma cerveja.
Aqui, cada artigo serve um prato e a etiqueta intercultural que o acompanha.
Parece surpreendente, mas o mesmo produto vende mais quando troca de discurso ao cruzar uma fronteira.
Em 1990, uma marca sueca de automóveis aprendeu isso do jeito difícil: vendeu segurança para toda a Europa num anúncio único e viu as vendas travarem. Ao mudar o discurso de MKT e oferecer status ao francês, economia ao sueco e performance ao alemão, as vendas dispararam. Isso se chama Comunicação Intercultural.
A mesma lógica vale para toda decisão de negócios internacionais, e quem lê a cultura do outro fecha mais.
Aqui, a gente estuda casos e frameworks da comunicação intercultural aplicada aos negócios.


