Aprender um idioma é aprender a navegar entre culturas.
Depois de mais de uma década ensinando inglês para profissionais brasileiros, entendi que dominar as regras linguísticas é a parte mais fácil. O que separa quem fala inglês de quem se comunica com autoridade em ambientes internacionais é o repertório cultural que a pessoa carrega: saber comentar o filme que ganhou o prêmio em Berlim, reconhecer a citação de Shakespeare que a CFO londrina soltou no meio da call, ler a referência ao Ingmar Bergman que seu colega sueco fez no coffee break. Pierre Bourdieu chamou esse repertório de capital cultural.
Para Bourdieu, capital cultural é o conjunto acumulado de conhecimentos, referências, obras lidas e assistidas, e disposições internalizadas que uma pessoa carrega, e que a posiciona em cada espaço social por onde ela passa. Em ambientes corporativos internacionais, capital cultural é a infraestrutura invisível da autoridade: é o que permite transitar como quem pertence.
Este blog existe para aumentar o capital cultural da minha rede: uma referência que passa a compor o seu repertório, uma obra que amplia o acervo, um código intercultural que muda como você lê a próxima interação social. Toda sexta às 8h no ACE Casual Friday, e ocasionalmente em artigos mais longos.
Três leituras para caber na sua semana.
Um artigo de cada categoria, curto o suficiente para ler entre uma reunião e outra.
Silêncio sueco, um phrasal verb esquecido e um Baldwin que caiu como luva
Cinco insights da semana: o silêncio nas reuniões com suecos, o phrasal verb que salva um follow-up e uma passagem de James Baldwin para levar ao trabalho.
Ana Paula Carvalho · 2 min de leituraComunicação Intercultural · 26 jun 2026Global Englishes: a linguística por trás do inglês corporativo internacional
A maioria dos falantes de inglês hoje o aprendeu como segunda língua. O que essa virada muda na forma como você se prepara para reuniões e negociações internacionais.
Ana Paula Carvalho · 2 min de leituraRelaxa que é Casual Friday!
Sextas, às 8h. Traz o café que eu trago 5 insights da minha semana sobre Comunicação Intercultural, Inglês Corporativo e curiosidades sobre outras culturas. Aquela conversa esperta que te prepara para o findi.
Há um jeito de conhecer um povo para além de livros, filmes e museus: sentar-se à mesa dele. Em Dubai, aceitar tâmaras oferecidas à porta da casa é aceitar entrar nela.
Butter chicken em Delhi resolve o tabu hindu da vaca e o tabu muçulmano do porco na mesma travessa. Comida é linguagem cultural; por isso, vale conhecer a cultura dos seus stakeholders antes de convidá-los para uma feijoada ou uma cerveja.
Aqui, cada artigo serve um prato e a etiqueta intercultural que o acompanha.
Idioms que só fazem sentido no meio da reunião. Phrasal verbs que salvam um performance review.
Inglês para o mundo do trabalho é o inglês que a fluência tradicional deixa passar: o do e-mail que fecha deal, do Slack que resolve mal-entendido antes do próximo café, da apresentação que passa autoridade em sala com sete nacionalidades.
Aqui, você aprende expressões úteis para o dia a dia do corporativo globalizado.
Parece surpreendente, mas o mesmo produto vende mais quando troca de discurso ao cruzar uma fronteira.
Em 1990, uma marca sueca de automóveis aprendeu isso do jeito difícil: vendeu segurança para toda a Europa num anúncio único e viu as vendas travarem. Ao mudar o discurso de MKT e oferecer status ao francês, economia ao sueco e performance ao alemão, as vendas dispararam. Isso se chama Comunicação Intercultural.
A mesma lógica vale para toda decisão de negócios internacionais, e quem lê a cultura do outro fecha mais.
Aqui, a gente estuda casos e frameworks da comunicação intercultural aplicada aos negócios.
